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Quando a corrida é muito mais que um desafio pessoal

Foto: arquivo pessoal - Simone Bassani

Depoimento da primeira experiência da jornalista Simone Bassani como voluntária do projeto Correndo Por Eles.

 

Corrida é o esporte solitário mais coletivo de todos. Essa frase nunca fez tanto sentido pra mim como nesse domingo, 21 de julho de 2019. Sou corredora de rua que participa de provas desde os 27 anos. Nesse tempo, já fiz inúmeras vezes aquele quádruplo que é mérito de todo o corredor: 5km, 10km, 21km e 42km.

Desde cedo, percebi que a corrida é mais do que colocar um tênis e sair por aí atrás de quilômetros. Cada um encontra uma motivação dentro de si para estar em uma prova. Você corre porque parou de fumar. Você corre porque emagreceu. Você corre porque venceu uma doença. 

Você corre porque tem um desafio pessoal a vencer e é isso que torna esse mundo tão sensacional: você respeita a história de cada corredor que está do seu lado. Você se coloca no lugar do corredor que está lesionado e faz amigos pra vida toda.

 

O PROJETO CORRENDO POR ELES

Recentemente, conheci o Correndo Por Eles, projeto sem fins lucrativos que visa a inclusão de famílias de pessoas com deficiências (PcD) através das corridas de rua. Idealizado por Altino Mourão, Daniel Sandy e Cesar Sforcin, o projeto busca transformar a vida dessas famílias, inserindo pais, responsáveis e cadeirantes em corridas de curta, média e longa distância do Brasil.

 

EXPERIÊNCIA COMO VOLUNTÁRIA PELA PRIMEIRA VEZ

Fui convidada para ser voluntária do projeto. a prova da vez foi a New Balance 15km Rio de Janeiro, que aconteceu no dia 21 de julho de 2019. Os corredores que se disponibilizam a ajudar não apenas empurram os triciclos na corridas: tem que chegar cedo, ajudar na montagem das bikes e ajudar os cadeirantes na transferência das cadeiras de rodas para os triciclos, colocar chip e número no peito dos cadeirantes e levar até a linha de largada.

 

LUANA E DANIELE, OS ANJOS QUE ME CONDUZIRAM POR 15KM

Fui para a largada ao lado da Daniele, mãe da cadeirante Luana, uma doce menina de 13 anos. Era a primeira vez que elas faziam uma prova de pra distância longa e era a minha primeira vez como voluntária. Unimos os nossos medos e transformamos em coragem. 

Demorei um pouco pra entender que pra fazer curvas era preciso levantar a roda da frente e a Dani foi me acalmando a medida que começamos a correr. Ela me acalmou e eu acalmei ela. Como era a sua primeira prova longa, aconselhei ela a não falar muito e a encaixar o ritmo da corrida com a respiração. Acho que deu certo. Não paramos nem na hora de beber água e tivemos que contar com a ajuda de alguns corredores nas subidas e ladeiras.

Foto: arquivo pessoal – Simone Bassani

Não é fácil correr empurrando um triciclo. A mecânica da corrida fica um pouco alterada porque os braços não são usados pra te dar impulso porque eles estão ocupados empurrando um carrinho. Volta e meia a Luana olhava pra trás, tocava na minha mão e eu acho que ela queria me dizer que ela estava sendo o meu anjo. 

Foto: arquivo pessoal – Simone Bassani

Cruzamos a linha de chegada chorando. Não tinha como ser diferente. Diagnóstico não vai ser o destino e no momento que você entende que estamos nessa vida só de passagem, tudo faz sentido e só a gratidão pelos pequenos detalhes é que fazem toda a diferença.

Obrigada, Daniel Sandy e todos os envolvidos,  por me permitir sentir inesquecível emoção. Foi lindo e já afirmo: quero mais!

 

 

Simone Bassani
Simone Bassani
Jornalista, produtora de conteúdo e corredora de rua de longas distâncias desde os 27 anos.

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