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Pai muda estilo de vida para correr junto com filho cadeirante

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A rotina da família, os treinos e as provas de corrida são compartilhados no perfil do Instagram @vem_com_manu.

Pai e filho correm juntos desde 2016. Um hábito considerado comum, não fosse pelo fato do menino Emmanuel ter paralisia cerebral, microcefalia e Síndrome de Lennox-Gastaut (um tipo grave de epilepsia infantil). Manu, como é carinhosamente chamado, acompanha o pai Peterson Rodrigues em um triciclo adaptado e já coleciona mais de 50 medalhas em provas de corrida.

Quando Manu nasceu, em Mesquita, na Baixada Fluminense, Peterson e a esposa Erika nem imaginavam o quanto o nascimento do primeiro filho mudaria a vida de toda família. Não houve nenhum problema durante a gestação, mas uma complicação na hora do parto fez com que o bebê ficasse internado no CTI por duas semanas. A falta de oxigenação no cérebro havia deixado sequelas irreversíveis no pequeno Manu.

As adversidades passaram a exigir de Manu uma luta diária pela vida e atenção absoluta dos pais. “Foram dois anos de aprendizado, tempos muito difíceis, de lutas e conhecimento de uma realidade completamente inesperada. Não sabia como seria cuidar de uma criança especial”, conta Peterson, que trabalha como técnico de telecomunicações, enquanto a esposa se dedica aos cuidados diários do menino de 6 anos.

Uma reportagem na televisão mudou o conceito de limitação para Peterson. Ao ver Rodrigo Rocha e o filho Biel, que também tem paralisia cerebral, participando de maratonas, Peterson se inspirou e prometeu deixar a vida sedentária para trás. A possibilidade de ter um momento de lazer com o filho e levá-lo para respirar novos ares motivaram Peterson a se inscrever na Family Run. Em 2016, pai e filho se tornaram atletas e começaram a escrever juntos uma história de superação através do esporte.

 

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Foto: Roberto Moreyra

 

Diagnóstico não é destino

Quem vê Peterson guiando Manu nas pistas do Parque Natural do Gericinó, em Nilópolis (RJ), nos fins de semana, tem a certeza de que um pai é capaz de fazer qualquer coisa por um filho. Para conseguir um triciclo adaptado, por exemplo, ele arrecadou dinheiro com a rifa de duas camisas de futebol autografadas e contou com ajuda do grupo Esquadrão Azul, formado por outros pais que correm com filhos deficientes.

Também foi por causa do filho que ele decidiu fazer a sua primeira tatuagem. Escreveu na panturrilha direita “Diagnóstico não é destino” para eternizar uma frase que diz muito sobre tudo o que já viveram. “Tinha tudo para ser um pai amargurado e meu filho tinha tudo para ficar dentro de casa, não curtir a vida. O esporte me ajudou a estreitar o laço com o meu filho. Hoje, sou melhor pai, um profissional melhor e uma pessoa melhor”, afirmou Peterson.

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Foto: Roberto Moreyra

 

Padrinho do projeto ‘Correndo Por Eles’

Há pouco mais de um ano, os educadores físicos Cesar Sforcin e Daniel Sandy e o dentista Altino Mourão se uniram para criar o projeto “Correndo Por Eles”. A ideia é promover a inclusão de pessoas com deficiências intelectuais ou motoras e seus familiares através da corrida. Além disso, os idealizadores ajudam a captar triciclos adaptados para que todos tenham, cada vez mais, a oportunidade de praticar uma atividade física.

A dupla Peterson e Manu é um dos padrinhos do projeto, que hoje conta com cerca de 150 famílias cadastradas e mais de 200 voluntários inscritos. Exemplo vivo de que o esporte muda a vida das pessoas (ele já perdeu mais de 30 kgs desde que começou a correr), Peterson explica o sentimento de fazer parte do projeto:

– É motivo de muita alegria poder ajudar outras pessoas, motivando outros pais, com a minha atitude de querer curtir esse momento com o Manu e ser um canal de incentivo. Meu propósito é motivar porque um dia também fui motivado. É uma honra ser padrinho de um projeto como esse.

 

 

Marcos Abreu Oliveira
Marcos Abreu Oliveira
Jornalista, maratonista e voluntário da Make-A-Wish Brasil.

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