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Olimpíadas na Guerra

Pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos, o povo europeu e o norte-americano conclamavam seus governos a um boicote às Olimpíadas devido ao abuso dos direitos humanos no país anfitrião.

Antes de chegarmos às Olimpíadas, vamos contextualizar este momento da história.

De 1925 a 1930, o governo alemão passou de uma democracia para um regime conservador-nacionalista do presidente e herói da Primeira Guerra Mundial, Paul von Hindenburg, que se opôs à natureza liberal democrática da República de Weimar.

O partido que apoiou um estado mais autoritário, foi o Partido Popular (o Deutschnationale Volkspartei, DNVP ou “Nacionalistas”), porém depois de 1929, cada vez mais, o público passou a apoiar os nacionalistas mais radicais.

Nas eleições de 1928, quando as condições econômicas tinham melhorado após o fim da hiperinflação de 1922-23, os nazistas ganharam apenas 12 lugares no Reichstag.

Após a Crise de 29, nas eleições de 1930, eles ganharam 107 lugares, tornando-se o segundo maior partido parlamentar. Depois das eleições de julho de 1932, os nazistas tornaram-se o maior partido no Reichstag, com 230 lugares.

Porém o Partido Nazista não conseguiu uma maioria parlamentar até a nomeação de Hitler como chanceler da Alemanha. Hindenburg mostrou-se relutante em dar qualquer significativo poder para Hitler, mas o ex-chanceler Franz von Papen e Hitler trabalharam em uma aliança entre os nazistas e o DNVP com a intenção de criar um regime autoritário e organizado.

A fim de controlar Hitler, foi nomeado um gabinete ministerial que permitiria que Hitler assumisse o cargo de chanceler sujeito ao controle dos conservadores tradicionais, sendo que os nazistas seriam uma minoria no gabinete.

Após tentativas do General Kurt von Schleicher para formar um governo viável, von Schleicher colocou pressão em Hindenburg por intermédio de seu filho Oskar von Hindenburg para eleger Hitler chanceler, bem como intrigas de ex-chanceler Franz von Papen, líder do Partido do Centro Católico.

Assim em 30 de janeiro de 1933 Adolf Hitler foi nomeado chanceler da Alemanha (Reichskanzler) por Hindenburg (a Machtergreifung), sendo o gabinete ministerial em seguida dissolvido por Hitler.

Adolf Hitler e Paul von Hindenburg

Adolf Hitler e Paul von Hindenburg por ocasião da nomeação do ditador nazista como chanceler. Imagem: dw.com

Em 24 de maio de 1933, o Reichstag aprovou o Ato de Autorização pelo qual transmitia suas funções legislativas ao poder executivo – no caso Hitler.

Durante o regime nazista o Reichstag reuniu-se em torno de 12 vezes, nunca sustentou debates, votações, ou discursos, com exceção dos de Hitler, tendo aprovado somente quatro leis (A Lei de Reconstrução de 30 de maio de 1934, no qual abolia a autonomia dos estados da Alemanha e as três leis antissemitas de Nuremberg em 15 de novembro de 1935).

Inúmeros ministérios deixaram de se reunir no regime nazista, embora continuassem existindo na teoria, como o Conselho Secreto do Gabinete (Geheimer Kabinettsrat) e o Conselho de Defesa do Reich (Reichsverteidigungsrat), cujas funções passaram a ser executadas por Hitler.

Com a morte de Hindenburg em 2 de agosto de 1934, Hitler fundiria os cargos de Reichspräsident e Reichskanzler no novo título Führer und Reichskanzler, tornando-se chefe das forças armadas, então o exército passou a prestar um juramento de fidelidade à Hitler.

Em outubro de 1933, a Alemanha retirou-se da Sociedade das Nações, uma organização que Hitler desprezava.

A Alemanha, por fim, transformou-se em um estado nacionalista, onde não-arianos e oponentes do nazismo eram excluídos da administração, e o sistema judiciário tornou-se subserviente ao nazismo.

Campos de concentração foram criados para receber prisioneiros políticos, sendo durante a Segunda Guerra Mundial utilizados para reunir judeus, ciganos e eslavos e outros grupos considerados “inferiores” pelos nazistas.

As Olimpíadas de Berlim

Durante duas semanas do mês de agosto de 1936, enquanto aconteciam os Jogos Olímpicos de Verão, a ditadura de Adolf Hitler camuflou seu caráter racista e militarista.

Ocultando sua agenda antissemita e seus planos de expansão territorial, o regime explorou os Jogos para impressionar os espectadores e jornalistas estrangeiros com a imagem de uma Alemanha pacífica e tolerante.

Ao rejeitar a participar de um boicote aos Jogos de 1936 os Estados Unidos e outras democracias ocidentais perderam a oportunidade de tomar uma posição que, segundo alguns estudiosos, poderia ter feito Hitler repensar o prosseguimento de seus sonhos de poder, além de fortalecer a resistência internacional contra a tirania nazista.

Terminados os Jogos, as políticas expansionistas da Alemanha e a perseguição aos judeus e a outros “inimigos do estado” se intensificaram, culminando na Segunda Guerra Mundial e no Holocausto.

Olimpíadas. The Olympic stadium in Berlin

O estádio olímpico de Berlim, local dos 11os Jogos Olímpicos. Imagem: United States Holocaust Memorial Museum.

Os Jogos de Verão

Em 1931, o Comitê Olímpico Internacional determinou que os Jogos de Verão de 1936 fossem realizados em Berlim.

A escolha marcou a volta da Alemanha ao cenário mundial, após um isolamento decorrente de sua derrota na Primeira Guerra Mundial.

Dois anos mais tarde, Adolf Hitler, agora chanceler da Alemanha, rapidamente transformou a frágil democracia alemã em uma ditadura uni partidária que perseguia os judeus, os ciganos, e todos os adversários políticos e de qualquer outro cunho.

O intuito nazista de controlar todos os aspectos da vida alemã estendeu-se também aos esportes.

A imagem dos esportistas alemães na década de 30 serviu para promover o mito da superioridade racial e do valor físico dos “arianos”.

Nas esculturas e em outras formas de arte, os artistas alemães idealizavam figuras atléticas, com o tônus muscular bem desenvolvido, enfatizando uma força sobre-humana, além de acentuar ostensivamente as características faciais ditas arianas (os arianos eram um povo da Ásia Central na pré-história).

Tais imagens também refletiam a importância que o regime nazista dava à boa forma física, um pré-requisito para se alistar no serviço militar.

Olimpíadas. Alemães saudando Adolf Hitler

Alemães saudando Adolf Hitler no Estádio Olímpico durante os jogos da 11ª Olimpíada. Berlim, Alemanha. Agosto de 1936. Imagem: United States Holocaust Memorial Museum.

As exclusões no esporte alemão

Em abril de 1933, uma política intitulada “somente para arianos” foi instituída em todas as organizações atléticas alemãs.

Os atletas “não-arianos” (judeus, parcialmente judeus, e ciganos) foram sistematicamente excluídos das instalações e associações esportivas germânicas.

Em abril de 1933, a Associação de Boxe Alemã expulsou de suas fileiras Erich Seelig , campeão amador, por ele ser judeu (Seelig posteriormente retomaria sua carreira nos Estados Unidos).

Outro atleta judeu, Daniel Prenn, o tenista mais bem colocado no ranking alemão, foi retirado da equipe alemã na Copa Davis; e a judia Gretel Bergmann, atleta de salto em altura de nível internacional, foi expulsa de seu clube alemão em 1933, e da equipe olímpica alemã em 1936.

Os atletas judeus barrados dos clubes esportivos alemães formaram associações judaicas, tais como os grupos denominados Maccabee e Shield, e criaram instalações improvisadas para continuar a treinar.

Entretanto, as precárias instalações esportivas judaicas não podiam se comparar às dos grupos alemães, muito bem financiados.

Os ciganos, incluindo o grande boxeador Sinti Johann Rukelie Trollmann, também foram excluídos dos esportes alemães.

Em um gesto simbólico que tinha por objetivo aplacar a opinião internacional, as autoridades alemãs permitiram que Helene Mayer, esgrimista de origem parcialmente judaica, representasse a Alemanha nos Jogos Olímpicos de Berlim.

Ela conquistou uma medalha de prata na esgrima individual feminina e, como os outros medalhistas da Alemanha fez a saudação nazista no pódio e após os Jogos, retornou aos Estados Unidos, onde vivia.

Nenhum outro atleta judeu, ou com alguma ligação familiar judaica, competiu representando a Alemanha.

Olimpíadas. Daniel Prenn

Daniel Prenn (esquerda), o tenista mais bem colocado no ranking alemão, foi retirado da equipe alemã na Copa Davis. Imagem: Wikipedia

O boicote

Nos Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Suécia, Tcheco-Eslováquia e Holanda surgiram movimentos de boicote os Jogos de Berlim em 1936.

Os debates sobre a propriedade de participação naquele evento foram mais intensos nos Estados Unidos que, como de costume, enviou uma das maiores equipes para Berlim.

Alguns defensores do boicote apoiaram a realização dos “contra-Jogos”, sendo um dos mais importantes deles a “Olimpíada do Povo”, prevista para acontecer em meados de 1936, em Barcelona, na Espanha, mas que foi cancelada após o início da Guerra Civil Espanhola, em julho de 1936, quando milhares de atletas já haviam começado a chegar na Espanha.

Individualmente, atletas judeus de diversos países também decidiram boicotar os Jogos em Berlim.

Nos Estados Unidos, alguns atletas s e algumas organizações judaicas, tal como o Congresso Judaico Americano e o Comitê Trabalhista Judaico, apoiaram o boicote.

No entanto, após o Sindicato dos Atletas Amadores dos Estados Unidos decidir participar, em dezembro de 1935, outros países seguiram a mesma linha de pensamento e os movimentos de boicote não obtiveram êxito.

Cartaz de divulgação dos 11° Jogos Olímpicos de Verão

Cartaz de divulgação dos 11° Jogos Olímpicos de Verão, realizados em Berlim, Alemanha, em 1936. Imagem: United States Holocaust Memorial Museum.

Abertura das Olimpíadas de Berlim

No dia 1 de agosto de 1936, Hitler fez a abertura da 11ª Olimpíada. Orquestras e bandas dirigidas pelo famoso compositor Richard Strauss saudaram a chegada do ditador para uma plateia de maioria alemã.

Centenas de atletas usando trajes esportivos de gala marcharam pelo estádio, um time de cada vez, por países em ordem alfabética.

Inaugurando um novo ritual olímpico, um atleta corredor carregava uma tocha que havia sido acesa no local onde foram disputadas as antigas Olimpíadas, a Grécia.

Quarenta e nove equipes de atletas de todo o mundo competiram nos Jogos de Berlim, um número maior que em qualquer Olimpíada anterior.

A Alemanha apresentou a maior equipe, composta por 348 atletas. A equipe americana era a segunda em número, com 312 membros, entre eles 18 afro-americanos.

O Presidente do Comitê Olímpico Americano, Avery Brundage, comandou a delegação. A União Soviética não participou dos Jogos em Berlim.

cena durante a abertura dos jogos olímpico de verão 1936

Cena durante a abertura dos 11os Jogos Olímpicos de Verão em Berlim. Imagem: United States Holocaust Memorial Museum.

A camuflagem dos objetivos expansionistas e antissemitas nazista

Durante duas semanas, Adolf Hitler camuflou seus objetivos expansionistas e antissemitas enquanto recebia os participantes, visitantes e imprensa que foram à Alemanha assistir aos Jogos.

Esperando impressionar os muitos visitantes estrangeiros que foram à Alemanha, Hitler autorizou um breve afrouxamento das atividades antissemitas (o que incluiu a remoção das placas que barravam os judeus de locais públicos).

Os Jogos foram uma propaganda de sucesso garantido para os nazistas. Eles apresentaram aos visitantes a imagem de uma Alemanha pacífica e tolerante.

A Alemanha promoveu habilmente os Jogos com cartazes coloridos e páginas inteiras de encartes em revistas que comentaram o evento.

As imagens esportivas procuraram estabelecer um elo entre a Alemanha nazista e a Grécia antiga, simbolizando o mito racial nazista de que a superioridade da civilização alemã era a herdeira real da cultura “ariana” de antiguidade clássica.

Esta visão particular da antiguidade clássica enfatizava os tipos “arianos” ideais: heroicos, loiros de olhos azuis e com traços bem definidos, bem diferentes da realidade.

preparações para os jogos olímpicos

Autoridades alemãs mostram a extensão da vila olímpica usando um modelo em escala. Berlim, Alemanha, julho de 1936. Imagem: United States Holocaust Memorial Museum.

Os esforços concentrados na propaganda política continuaram após o final dos Jogos Olímpicos, com o documentário “Olimpíadas” sendo lançado em 1938, um trabalho polêmico dirigido por uma simpatizante do nazismo, a produtora e diretora cinematográfica Leni Riefenstahl, que havia sido contratada pelo regime nazista para produzir este filme.

A Alemanha foi a grande campeã da 11ª Olimpíada. Os atletas alemães ganharam o maior número de medalhas, e a hospitalidade e a organização alemãs receberam elogios dos visitantes.

A maioria dos jornais concluiu, assim como o fez o jornal The New York Times que os Jogos colocaram os alemães “de volta à comunidade das nações” e que até os tornaram “mais humanos novamente”.

Alguns, inclusive, encontraram razões para acreditar que aquele intervalo pacífico fosse durar.

Somente alguns repórteres, como William Shirer (jornalista, historiador e escritor americano, famoso tanto por ter coberto diretamente da Alemanha o início da Segunda Guerra Mundial), compreenderam que o brilho de Berlim era meramente uma fachada para esconder o opressivo, racista e violento regime nazista.

William L. Shirer

William Shirer foi um dos poucos a compreender que o brilho de Berlim era meramente uma fachada para esconder o opressivo, racista e violento regime nazista. Imagem: britannica.com

O Atleta que humilhou Hitler

James Cleveland Owens. Atleta americano de atletismo, nasceu em Oakville, uma cidade rural no Alabama, em 12 de setembro de 1913.

Aos nove anos, ele e sua família se mudaram para Cleveland, Ohio, para obter melhores oportunidades, como parte da Grande Migração, quando 1,5 milhão de afro-americanos deixaram o sul segregado para o norte urbano e industrial.

Quando seu novo professor perguntou seu nome, ele disse “JC”, mas por causa de seu forte sotaque sulista, entendeu que ele dissesse “Jesse”.

O nome ficou preso e ele ficou conhecido como Jesse Owens pelo resto da vida.

Jesse Owens com alguns colegas

Jesse Owens com alguns colegas do colégio. Imagem: The Ohio State University Archives.

Quando jovem, Owens assumiu diferentes empregos em seu tempo livre: entregava mantimentos, carregava vagões de carga e trabalhava em uma oficina de calçados, enquanto seu pai e irmão mais velho trabalhavam em uma siderúrgica.

Durante esse período, Owens percebeu que tinha uma paixão por correr. Ao longo de sua vida, Owens atribuiu o sucesso de sua carreira de atleta ao incentivo do treinador da sua escola secundária (Fairmount Junior High School), Charles Riley.

Como Owens trabalhava em uma oficina de calçados depois da escola, Riley permitiu que ele praticasse seus treinos antes das aulas.

Em 4 de dezembro de 1935, o secretário da NAACP (National Association for the Advancement of Colored People), Walter Francis White, escreveu uma carta a Owens, mas nunca a enviou.

Ele estava tentando dissuadir Owens de participar dos Jogos Olímpicos de Verão de 1936, argumentando que um afro-americano não deveria promover um regime racista depois do que sua raça sofreu nas mãos de racistas brancos em seu próprio país.

Jesse Owens e Charles Riley

Jesse Owens e Charles Riley falando enquanto estavam na pista, 1937. Imagem: The Ohio State University Archives.

Owens foi convencido pela NAACP a declarar: “Se há minorias na Alemanha que estão sendo discriminadas, os Estados Unidos devem se retirar das Olimpíadas de 1936”.

No entanto, ele e outros eventualmente participaram após Avery Brundage, presidente do Comitê Olímpico Americano os chamarem de “agitadores não americanos”.

Owens subiu ao ponto mais alto do pódio nas provas de 100 metros rasos (10,3 segundos), no salto em distância (8 metros e 5 centímetros), 200 metros rasos (20,7 segundos) e corrida de revezamento 4×100 metros (39,8 segundos), provando para o ditador que a tal supremacia física e intelectual ariana só existia em sua cabeça doentia.

Não bastassem as medalhas douradas, ainda estabeleceu recordes mundiais nos 200 metros e no salto em distância.

Tal feito alcançado por um negro, era muito para Hitler, que havia alguns anos já colocado em prática sua política de extermínio.

Atletas, quando não eram assassinados ou forçados a deixar o país, eram relegados por uma política que, a partir de 1933, privilegiou esportistas que representavam o ideal almejado pelo ditador – branco, de ascendência alemã e, se possível, com corpo que remetesse às esculturas clássicas gregas.

 

Owens saúda a bandeira americana

Owens saúda a bandeira americana depois de vencer o salto em distância nos Jogos Olímpicos de Verão de 1936. Imagem: Naoto Tajima , Owens, Lutz Long.

Depois dos Jogos

À medida que os relatórios compilados sob a reação internacional sobre a Alemanha e sobre o evento eram arquivados, Hitler retomou seus grandiosos planos de expansão.

As perseguições aos judeus foram retomadas. Dois dias após o final dos Jogos Olímpicos, o Capitão Wolfgang Fuerstner, chefe da Vila Olímpica, suicidou-se ao saber que havia sido demitido dos serviços militares por ter origem judaica.

A Alemanha invadiu a Polônia no dia 1 de setembro de 1939. Três anos após os Jogos Olímpicos, o “hospitaleiro” e “pacífico” anfitrião dos Jogos desencadeou a Segunda Guerra Mundial, conflito que resultou em uma destruição nunca dantes vista na história.

Terminados os Jogos, as políticas expansionistas da Alemanha e a perseguição aos judeus e a outros grupos considerados como “inimigos do estado” se intensificaram, culminando no Holocausto.

 

 

Fontes

Wikipedia – História política dos Jogos Olímpicos de 1936 (https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_pol%C3%ADtica_dos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_1936)

United States Holocaust Memorial Museum (https://encyclopedia.ushmm.org/content/en/article/the-nazi-olympics-berlin-1936)

Wikipedia – Jesse Owens (https://en.wikipedia.org/wiki/Jesse_Owens)

Aventuras na história (https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-jesse-owens-hitler.phtml)

Renato Almeida
Renato Almeida
Empreendedor responsável pelas empresas RRtech Hospedagem de Sites e Agência Impacto.

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